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DOMINGO DE RAMOS

ANO A

 

A Liturgia do Domingo de Ramos apresenta-nos 2 cenas da vida de Jesus aparentemente contraditórias. A sua entrada triunfal em Jerusalém e a sua prisão e morte na cruz.
Mas só aparentemente é que o são. A Luz da Páscoa associa-as e une-as com 2 aspetos da mesma verdade. Há um modo de viver e de morrer que não se perderá jamais no vazio. Há algo que é mais forte do que a própria morte: o Amor.
A fidelidade à verdade e à justiça, a fidelidade à causa de Deus e à causa do Homem é um caminho estreito e doloroso que exige renúncias e sacrifícios, mas que vale a pena seguir: é o único que tem o selo de Deus e a garantia de nos levar à VIDA na sua plenitude.

 

I LEITURA
Leitura do Livro de Isaías 50,4-7
O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tomei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido.
Palavra do Senhor

 

SALMO 21

MEU DEUS, MEU DEUS, PORQUE ME ABANDONASTE?

Todos os que me veem escarnecem de mim,
estendem os lábios e meneiam a cabeça:
“Confiou no Senhor, Ele que o livre,
Ele que o salve, se é seu amigo.”

Matilhas de cães me rodearam,
cercou-me um bando de malfeitores.
Trespassaram as minhas mãos e os meus pés,
posso contar todos os meus ossos.

Repartiram entre si as minhas vestes
e deitaram sortes sobre a minha túnica.
Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim,
sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me.

Hei-de falar do vosso nome aos meus irmãos,
hei-de louvar-Vos no meio da assembleia.
Vós, que temeis o Senhor, louvai-O,
glorificai-O, vós todos os filhos de Jacob,
reverenciai-O, vós todos os filhos de Israel.


II LEITURA
Leitura da Epístola do Apóstolo São Paulo aos Filipenses 2,6-11
Cristo Jesus que era condição divina, não se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquialou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.
Palavra do Senhor

 

EVANGELHO
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 27,11-54
Naquele tempo, Jesus foi levado à presença do governador Pilatos, que lhe perguntou:
R- «Tu és o Rei dos judeus?»
N- Jesus respondeu:
J- «É como dizes».
N- Mas, ao ser acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Disse-Lhe então Pilatos:
R- «Não ouves quantas acusações levantam contra Ti?»
N- Mas Jesus não respondeu coisa alguma, a ponto de o governador ficar muito admirado. Ora, pela festa da Páscoa, o governador costumava soltar um preso, à escolha do povo. Nessa altura, havia um preso famoso, chamado Barrabás. E, quando eles se reuniram, disse-lhes:
R- «Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo?»
N- Ele bem sabia que O tinham entregado por inveja.
Enquanto estava sentado no tribunal, a mulher mandou-lhe dizer:
R- «Não te prendas com a causa desse justo, pois hoje sofri muito em sonhos por causa d Ele».
N- Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram a multidão a que pedisse Barrabás e fizesse morrer Jesus. O governador tomou a palavra e perguntou-lhes:
R- «Qual dos dois quereis que vos solte?»
N- Eles responderam:
R - «Barrabás».
N- Disse-lhes Pilatos:
R- «E que hei-de fazer de Jesus, chamado Cristo?»
N- Responderam todos:
R- «Seja crucificado».
N- Pilatos insistiu:
R- «Que mal fez Ele?»
N- Mas eles gritavam cada vez mais:
R- «Seja crucificado».
N- Pilatos, vendo que não conseguia nada e aumentava o tumulto, mandou vir água e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo:
R- «Estou inocente do sangue deste homem. Isso é lá convosco».
N- E todo o povo respondeu: R- «O seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos».
N- Soltou-lhes então Barrabás. E, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-lh’O para ser crucificado. Então os soldados do governador levaram Jesus para o pretório e reuniram à volta d’Ele toda a coorte.
Tiraram-Lhe a roupa e envolveram-n’O num manto vermelho. Teceram uma coroa de espinhos e puseram-Lha na cabeça e colocaram uma cana na sua mão direita. Ajoelhando diante d’Ele, escarneciam-n’O, dizendo:
R- «Salvé, Rei dos judeus!»
N- Depois, cuspiam-Lhe no rosto e, pegando na cana, batiam-Lhe com ela na cabeça. Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto, vestiram-Lhe as suas roupas e levaram-n’O para ser crucificado.
N- Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e requisitaram-no para levar a cruz de Jesus. Chegados a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar do Calvário, deram-Lhe a beber vinho misturado com fel. Mas Jesus, depois de o provar, não quis beber. Depois de O terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes, tirando-as a sorte, e ficaram ali sentados a guardá-l’O. Por cima da sua cabeça puseram um letreiro, indicando a causa da sua condenação: «Este é Jesus, o Rei dos judeus».
Foram crucificados com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda. Os que passavam insultavam-n’O e abanavam a cabeça, dizendo:
R- «Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo; se és Filho de Deus, desce da cruz».
N- Os príncipes dos sacerdotes, juntamente com os escribas e os anciãos, também troçavam d’Ele, dizendo:
R- «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo!
Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz e acreditaremos n’Ele. Confiou em Deus: Ele que O livre agora, se O ama, porque disse: ‘Eu sou Filho de Deus’».
N- Até os salteadores crucificados com Ele O insultavam. Desde o meio-dia até as três horas da tarde, as trevas envolveram toda a terra. E, pelas três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:
J- «Eli, Eli, lema sabachtani!»,
N- que quer dizer: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?»
Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram:
R- «Está a chamar por Elias».
N- Um deles correu a tomar uma esponja, embebeu-a em vinagre, pô-la na ponta duma cana e deu-Lhe a beber. Mas os outros disseram:
R-  «Deixa lá. Vejamos se Elias vem salvá-l’O».
N- E Jesus, clamando outra vez com voz forte, expirou.
N- Então, o véu do templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os túmulos e muitos dos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram; e, saindo do sepulcro, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos. Entretanto, o centurião e os que com ele guardavam Jesus, ao verem o tremor de terra e o que estava a acontecer, ficaram aterrados e disseram:
R- «Este era verdadeiramente Filho de Deus».
Palavra da Salvação