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CAPELA DE N.ª SR.ª DA GUIA

No Largo da Viscondessa, edificada em 1890, a expensas de D. Maria Dias de Sousa, Viscondessa de Santa Cruz do Bispo. No seu interior encontra-se a imagem (Séc. XV) de N.ª Sr.ª da Guia de policromada, pedra ançã.

 

A VISCONDESSA

D. Maria Dias de Sousa, a quem a freguesia conhece como Veneranda Viscondessa de Santa Cruz do Bispo, nasceu nesta terra em 30 de Dezembro de 1816. Descendia de família pobre e não sabia escrever. Casou em Santa Cruz do Bispo, a 24 de Fevereiro de 1837, com António Francisco Pereira, um marítimo que foi capitão da Marinha Mercante, conhecido por "Mirão". Não teve filhos.

Herdou avultada fortuna do Brasil, legada por seu tio José Dias de Sousa, falecido em Porto Alegre, em 1865.

Viveu a maior parte da sua vida no lugar da Ponte, da freguesia de Matosinhos, mas, com seu marido, esteve profundamente ligada à vida social e religiosa da sua terra natal. Nos livros paroquianos do seu tempo faz-se abundante referência do relacionamento com a freguesia que engrandeceu de um modo já mais ultrapassado.

Nos livros das Atas da, outrora, importante Confraria do SS. Sacramento encontra-se a ficha de inscrição, de Maria Dias de Sousa e seu marido, como irmãos honorários, admitidos em 15 de Dezembro de 1865. Foram também admitidos para a Irmandade de N.ª Sr.ª do Livramento, em 1866, como consta também do livro de atas desse tempo, assim como dos registos de Irmãos, sendo-lhes atribuídos os números 68 e 67 respetivamente.

A partir dessas datas reafirmaram de um modo cada vez mais influente a ligação com a vida da freguesia. Encetaram toda uma série de empreendimentos em benefício da Irmandade de N.ª Sr.ª do Livramento, quer da Igreja Paroquial, quer da Comunidade em geral. Os livros paroquiais e os documentos da irmandade zelosamente guardados no Arquivo da Paróquia. Pelos mesmos documentos conta que em 31 de Janeiro de 1885 faleceu o marido da Viscondessa, António Francisco Pereira, cujo nome continua visível nas lápides das capelas de N.ª Sr.ª da Guia e de N.ª Sr.ª do Livramento e em retratos a óleo na Sacristia e em S. Brás. Em ata de 5-2-1885, a Irmandade de N.ª Sr.ª do Livramento "manifesta voto de profundo sentimento, manda rezar missa na capela, manda distribuir esmolas aos pobres e manifestar à esposa, viúva, D. Maria Dias de Sousa, o respeito mais sagrado" (Cfr. P. 36). A mesma Irmandade não só considerou os seus benfeitores como sócios honorários como lhes atribuiu a categoria máxima de Juízes honorários.

Título de Viscondessa

Em 1892, foi concedido o título de Viscondessa a D. Maria Dias de Sousa, por el-rei D. Carlos: Mercê nova. Alvará de 30 de Junho de 1892. As suas armas: "Escudo. Lisonja partida em pala; a primeira em campo de oiro, e a segunda de vermelho com uma cruz de prata lisa e dentro dela uma pequena cruz negra. Coroa da Viscondessa. Timbre: uma estrela de oiro".

Os títulos de nobreza eram adquiridos na época, como distinção para pessoas beneméritas. Para D. Maria Dias de Sousa terá sido o reconhecimento e consagração oficial da sua generosidade e qualidades de carácter, cuja nobreza se refletiu no contributo prestado à coletividade.

Profundamente religiosa, não admira que se destaque a sua ação a favor das Instituições Religiosas, todavia orientadas para o serviço da Comunidade. Além disso, era de tal generosidade que, com frequência, batiam à sua porta para socorrer situações mais prementes